Consulta presencial ou consulta à distância: qual escolher para o seu imóvel
Duas formas de realizar a consulta de orientação, com vantagens diferentes. Explicamos quando cada uma resulta melhor e qual costumamos recomendar à maioria dos proprietários.
Helena Marques · · 6 minutos de leitura
Duas formas de ter a mesma conversa
A consulta de orientação é uma conversa individual em que tentamos perceber o seu imóvel, os seus objetivos e as alternativas que fazem sentido explorar. O conteúdo é o mesmo em qualquer formato. O que muda é o sítio onde a conversa acontece e a informação que fica ao nosso alcance durante ela.
Nestas semanas de outono, muitos proprietários aproveitam para pensar no que fazer à casa antes do inverno, e a pergunta que mais ouvimos é se vale a pena marcar uma visita ou se basta uma chamada. Não há uma resposta única, mas há critérios simples para decidir, e é deles que falo neste texto.
Escrevo como quem acompanha este tipo de conversas desde a fundação da consultoria, em 2014. Ao longo desses anos vi consultas curtas e claras nos dois formatos, e também consultas que ficaram a meio por falta de um papel ou de uma fotografia. Quase sempre a causa foi o formato mal escolhido.
A consulta presencial: o que ganha e o que custa
Na consulta presencial, o proprietário vem ao nosso escritório em Santarém ou recebe-nos no imóvel, conforme combinado. A grande vantagem é o contacto direto com o espaço e com os documentos. Folheamos a caderneta, olhamos para a planta, vemos a luz das divisões e percebemos de imediato o que não cabe numa descrição.
Há também um ganho de tranquilidade. Muitas pessoas com mais de 55 anos preferem falar de um assunto tão pessoal como a casa da família sentadas à mesa, sem ecrãs pelo meio, e esse conforto ajuda a que digam o que realmente pensam sobre o futuro do imóvel.
O custo é sobretudo de tempo e de deslocação. Quem vive longe de Santarém gasta uma manhã ou uma tarde, e marcar a data exige alguma antecedência. Se o imóvel for visitado, a conversa tende a ser mais longa, porque cada divisão levanta uma pergunta.
- Permite ver o imóvel e os documentos em conjunto
- Favorece conversas mais pausadas e pessoais
- Exige deslocação e agendamento com antecedência
A consulta à distância: o que ganha e o que custa
Na consulta à distância, a conversa faz-se por telefone ou chamada de vídeo, a partir de casa do proprietário. O ganho mais evidente é a comodidade: sem viagens, com horários mais flexíveis e com a possibilidade de incluir um filho ou um irmão que mora noutra cidade e que também participa na decisão.
É um formato muito útil para casas herdadas ou de férias situadas longe de onde o proprietário vive. Em vez de uma viagem só para falar, a conversa acontece primeiro e a eventual visita fica reservada para quando já se sabe o que procurar.
O custo é a menor riqueza de informação. Dependemos de fotografias, de descrições e dos documentos que o proprietário nos envia, e algumas dúvidas só aparecem quando se está dentro das divisões. Por isso, pedimos sempre alguma preparação antes da chamada, para que o tempo não se perca a pedir papéis.
- Dispensa deslocações e facilita a participação da família
- Adequada a imóveis distantes do proprietário
- Depende de boas fotografias e de documentos à mão
Critérios para decidir entre as duas
O primeiro critério é a distância. Se o imóvel fica perto e o proprietário se desloca com facilidade, a consulta presencial tem poucas desvantagens. Se fica noutra região, ou se o proprietário prefere não viajar, a distância pesa mais do que qualquer outro fator.
O segundo é o estado de clareza. Quem já sabe o que quer, por exemplo comparar arrendar com manter, resolve muito numa chamada. Quem ainda não sabe sequer se quer mexer na casa ganha mais com uma conversa à mesa, onde as dúvidas se vão desdobrando sem pressa.
O terceiro é a documentação. Com a caderneta predial, a planta e algumas fotografias organizadas, o formato à distância funciona bem. Sem esses papéis, o formato presencial permite resolver parte do problema no próprio dia, olhando para o que existe e anotando o que falta.
- Distância entre o proprietário e Santarém
- Grau de clareza sobre os objetivos
- Disponibilidade dos documentos do imóvel
Um exemplo comparado, sem nomes
Imagine uma casa herdada numa aldeia a duas horas de distância, com três irmãos espalhados pelo país. Uma consulta presencial exigiria juntar toda a gente num fim de semana, o que raramente acontece. Aqui a chamada de vídeo com os três resolve a primeira fase e deixa a visita para depois.
Imagine agora um apartamento desocupado na mesma cidade, cujo proprietário hesita há anos entre vender, arrendar e deixar como está. Neste caso, a conversa à mesa, com a planta aberta e a possibilidade de combinar logo uma visita, costuma poupar semanas de trocas de mensagens.
São situações simples, mas mostram que o formato deve servir o problema e não o contrário. A pergunta útil não é qual é melhor em geral, mas qual encurta o caminho até uma decisão informada no seu caso concreto.
A nossa recomendação
Para a maioria dos proprietários, recomendo começar pela consulta presencial sempre que a deslocação seja razoável. A conversa à mesa, com os documentos e, se possível, uma visita ao imóvel, produz um ponto de partida mais sólido e evita mal-entendidos que depois custam tempo a corrigir.
Recomendo a consulta à distância quando o imóvel está longe, quando há vários familiares a decidir em conjunto ou quando o proprietário já tem os documentos reunidos e uma ideia clara do que quer comparar. Nesses casos, é uma escolha perfeitamente adequada e não um recurso de segunda linha.
Em qualquer dos formatos, o essencial é chegar com as perguntas escritas e os papéis à mão. A equipa de apoio ao cliente ajuda a perceber o que reunir antes da marcação, e o preço e as condições de cada formato são confirmados por escrito antes de avançarmos.
Nenhum dos formatos é melhor em absoluto. A consulta presencial dá mais contexto e mais calma; a consulta à distância dá comodidade e inclui quem está longe. Escolha em função da distância, da clareza dos seus objetivos e dos documentos que tem. Se ficar em dúvida, diga-nos como é o imóvel e onde vive, e indicamos o formato que costuma resultar melhor em situações semelhantes.
Helena Marques
Diretora e consultora principalAcompanha proprietários desde a fundação da consultoria. Dirige as consultas e a elaboração dos planos personalizados.
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